...Não sei desde quando o habito de fumar entrou no bar do Joe. Mas ali era lei. Lei talvez não, mas era impossível estar naquele ambiente não grande, ou melhor, nada grande, sem ter seus olhos irritados por uma espessa camada de fumaça no ar. O pior é que ela não era formada todos os dias e depois renovada. A aparência é que tinha a mesma idade do bar, inaugurado em 1986. Rezava a lenda que pessoas realmente importantes haviam fumado ali, por isso daria azar se deixasse toda aquela fumaça sair.
...Maldito folclore estúpido de cidade podre do interior. Pensava um sujeito que trazia um lenço branco cobrindo o nariz e a boca. Vamos embora. Insistia ele aos amigos ou primos, pois eram três rapazes realmente parecidos. Podiam até ser irmãos, mais se fossem já estariam mais exaltados. Os outros sorridentes olhavam em volta e achavam graça de nem saberem direito se estavam perto ou não do balcão onde eram preenchidos canecões com chope. Vamos lá quando teremos a oportunidade de ver um jogo da Alemanha num bar assim? O mais animado dos três insistia nesta frase. O outro enojado. O terceiro estava tentando enxergar a tela de 14 polegadas através da cortina cinza que flutuava por todo o lugar. Fanático como era quando viu a bola correr até o gol animou-se não identificou nada, porém gritou como nunca. Levantou os braços e soltou um sorriso muito contagiante.
...Mas ninguém havia se mexido. O gol não era a favor. Todos olharam para ele, todos extremamente sérios. Ficou envergonhado. Alguns acharam graça, outros. Bem, outros nem tanto assim. Logo sentiu um puxão. Traidor da nação. Um punho cerrado lhe atingiu o olho. E ele apenas caiu. Não que realmente tivesse sido nocauteado. Mas é que por alguns instantes viu a silhueta do homem que o acertou e bem: parecia mais um urso do que um homem. Disse ele depois. Mas o companheiro que voltava do balcão com canecões não havia sido tão observador. Soltou um murro no ar e acertou alguém. E a briga começou.
...Inacreditável foi ver como realmente havia espaço. Onde antes era impossível de andar direito agora tinha espaço o suficiente para a realização de golpes que a mente humana não consegue pensar que acontecem em uma briga de bar. Pelo menos não naquele bar. Claro também que cadeiras voaram. Claro que copos inteiros de chope se perderam no chão, quebrados ou apenas tombados. Talvez não seja exagero dizer que alguma mesa tenha sido arremessada, mas não causou um estrago tão grande. Afinal estavam todos bêbados mesmo.

7 comentários:
Animais. Seres humanos são animais. Aliás, animais são melhores que os homens... Eles, os animais, têm motivos para brigar. Os homens às vezes brigam ocm o vento por pura bobeira, ou orgulho.
Curti o texto e a crítica! Muito bom mesmo!
Conheci seu blog em outro blog de contos e fiquei curioso.
Cara, gostei muito de O QUE HOUVE? É bom saber que a literatura brasileira está sendo bem representada aqui na webcomunidade. Quero sempre ler seu blog.
Parabéns!
Marcos Henrique.
(blog q te indicou: http://matheuslara.blogspot.com)
Excelente! Adorei a performaçe da história. Foi tu mesmo quem escreveu? Olha que escreve muito bem! Continue nesse ritmo!
Seu jeito de escrever é ágil, casual, jovem, moderno.
Quem começa a ler seus textos, tem vontade de terminar. As ações corriqueiras podem se tornar obras de arte.
Parabén!
Juh Fernandes
Bem interessante a forma como escreve, bem jovem e moderna. Com consistencia na história, parabéns! Tenho certeza que você escreve bem melhor que a Geyse Arruda.
Mto legal kra, continua postando que continuarei lendo ! vocÊ tem um estilo de escrita parecido com Stephen King, meu autor preferido, o que é sensacional e difícil ao mesmo tempo e medida!
parabéns
Vitor Hugo
Adorei! Nossa, achei muito legal seu jeito de esscrita! Você é muito talentoso! Continue postando!
Ganhou uma leitora!
(ah, só não entendi o título, juro! Sou muito burra!)
Déia B.
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