sexta-feira, 23 de julho de 2010

A fria lâmina do anonimato

...Esta é a história de um fotógrafo anônimo. O nome dele é Alberto. Alberto dos Santos. Digo anônimo, pois este morreu no anonimato por causa de sua primeira exposição. Tinha um futuro promissor, pelo menos é o que eu consigo ver na minha bola de cristal. Se não fosse uma foto. Por uma única foto.

...Como todos os fotógrafos da época. 1983, se não estou enganada. Tirava fotos bem enquadradas. Pessoas sorrindo em bancos de praça. Cães de família com familiares. Árvores com pessoas fazendo piqueniques ao redor. Colméias de abelhas com apicultores.

...Dentre os assuntos mais variados ele tinha onze, onze fotos. Com doze, pelo menos o que ele achava, poderia imprimir e emoldurar todas e conseguiria sua primeira exposição de sucesso. Ou completo fracasso. Precisava de mais uma. Mais uma única.

...Mas não conseguiu. Vitorioso pensou em expor então as duas que tinha conseguido no último fim de semana que havia saido para a 'caça'. Porque colocar apenas uma se pode colocar duas. E assim foram impressas e emolduradas não onze nem doze, mas treze. As treze fotos sensacionais de Alberto dos Santos.

...Folhetins impressos em jornais. Tudo custeado pelo próprio fotógrafo. O convite enviado a algumas personalidades políticas mais respeitadas da cidade. No grande dia 26 de agosto de 1983. Tenebroso dia 26 de agosto. Lembrado por ninguém. A manhã começou fria e nublado continuou até o fim. As portas do salão se abriram rangendo. O pessoal entrou com preguiça.

...As fotos dispostas em biombos brancos. Todas em preto e branco. Pessoas sozinhas sentadas, em pé. Em família. Em companhia de objetos. Mas a ultima chamou mais atenção. Pois não havia pessoa nenhuma. O mais curioso é que o nome da foto era: “Mulher nua de braços abertos.” A imagem mostrava uma árvore. Com muita cautela o observador conseguia enxergar braços femininos. Atrás das folhas. A mulher nua estava escondida entre as folhagens. Que ultraje.

...Olhavam com desgosto para a obra prima. A décima terceira foto. Que fez com que no final do dia a exposição sucesso por quase uma hora fosse fechada. Não cometi atentado ao pudor. Falou, contou, explicou e gritou por toda noite o fotógrafo frustrado em uma sela única.

...Meses depois saiu sem acostumar-se com a luz. Cambaleou e aposentou a máquina fotográfica. Gastou seus últimos dias desconhecido com filmes, álbuns, livros e sono.

10 comentários:

Matheus Lara disse...

A diz B para C. C escuta D. As coisas, muitas vezes, vão bem mais além de uma conversa ou de um expressar de opiniões. "The beauty is in the eye of the beholder". O problema nunca é de quem fala, é de quem escuta, que escuta o que quer.

Continue postando!

Matheus Lara

Bianca Clazer disse...

Gostei muito da história!
Ela mostra que muitas vezes, vemos as coisas sem ao menos interpreta-lás, vemos só o que queremos ver, sem entender o porque de aquilo estar acontecendo!
Na verdade, eu não sei o que escrever, acho que ficou confuso, mas gostei da história e espero que o senhor Gustavo Kovalski continue postando!
;*

Marina Tortelli disse...

ae tavos, gostei :) porém acho qe ficou bem sintático.
mas é isso aii, continue postando :*
marinatortelli

Isah S. disse...

Eu gostei, achei muito original, diferente de contos e crônicas que eu costumo ler. Gostei mais principalmente depois de ler um comentário aí sobre como interpretamos certas coisas a partir do que nós queremos ver. O que eu não entendi foi de onde saíram as duas últimas fotos. Primeiro ele tinha onze, daí publicou duas dessas 11 e daí ficou com treze, como isso?

Anônimo disse...

Gostei bastante dessa cronica só achei um pouco confusa em alguns momentos, mas bem diferente da maioria das cronicas que tem por ai! Essa tem um foco interessante de como interpretamos algumas coisas de formas diferentes!

Anônimo disse...

concordo com o primeiro comentário quanto ao tema, acho que entendi as críticas! as coisas são assim mesmo, muitas vezes ngm entende nada.

é um bom texto!
(um pouco de confusão, coisas "estranhas" acaba deixando um clima legal também).

poste sempre!

Guilherme D. Dutra disse...

Muito bom cara. Conciso, coerente. Parabéns.

Gui Dutra
http://guilhermeddutra.blogspot.com/

ibere disse...

parabens pelo blog


gostei muito do seu esforço e empenho em escrever, continue, a escrita é um processo.
vou dar uma dica: os contos, esqeutes, narrativos tem uma estrutura que é : situação inicial, complicação ( algo acontece) climax ( momento de maior emoção) e conclusão).

continue trabalhando seus textos, acho que voce tem uma tendencia boa pra escrever. procure sempre aprenser mais e aprimorar, revisando varias vezes antes de postar,

continue na batalha,
Ibere

leonardo t. disse...

muito bom meu guri. Linda a imagem dela atrás da árvore...

Maria Hypolito disse...

Tavito....gostei do seu texto...and now i´m wondering how shloud become a "more complex" history in your hands... quem sabe logo eu descubra...hehe
continue assim, estude piá...e lembre-se que seu prazo decedencial está se esgotando...depois disso eu me chateio e não ajudo mais..uhaUHAUHuhaUHA
beijão!!!!